terça-feira, 15 de junho de 2010

O lado triste da Cidade Maravilhosa...


... e tenho certeza, de tantos outros grandes centros do Brasil.

Bom galera, depois de alguns dias sem postar, resolvi voltar pra contar uma história quem eu vivi e me emocionei refletindo no que podemos fazer para melhorar. Bem, é de conhecimento de todos que na cidade do Rio de Janeiro, existem centenas de moradores de rua, e que grande parte dessas pessoas são crianças. Pois bem, na última sexta-feira, enquanto retornava das malditas aulas teóricas da auto escola, avistei um desses moradores de rua, mais precisamente um menino de rua, com uma camiseta e seus braços pra dentro dela, tentando aquecer o máximo possível seu corpo, já que fazia um frio de pelo menos 15° e a sensação térmica, devido os ventos e a eminente chuva que estava pra cair, despencava essa temperatura para pelo menos 13°. Enquanto me aproximava, posso dizer que pela primeira vez escutei a voz de Jesus Cristo me dizendo: "Bruno, dê seu casaco pra essa criança!". Eu me senti tão bem aquele momento que quase que atendi a voz de imediato e ao pé da letra, mas como ser humano que sou, não o fiz dessa forma. Primeiro, me aproximei dele e ele me pediu um dinheiro pra comprar alguma coisa pra comer. Disse pra ele que não lhe daria dinheiro, mas que concordava em pagar algo pra ele comer e ele me pediu que pagasse algo pra ele numa padaria ali perto. Concordei e paguei um salgado com um guaravita pra ele, virei as costas e retomei minha caminhada de volta pro meu trabalho, pra buscar minhas coisas e ir embora pra Maricá. Depois de menos de dois minutos de caminhada, Jesus tornou a me falar: "Bruno, não foi isso que eu lhe pedi!". Eu meio que brigando com minha mente, já adaptada ao cotidiano de andar entre moradores de rua e muitas vezes não me compadecer da dor dela, voltei para o encontro do menino, na esperança de ainda o encontrar na padaria. Felizmente o encontrei e lhe perguntei se ele não tinha uma camisa de manga para se aquecer, pois estava muito frio. Ele me respondeu que não e então o chamei pra me acompanhar até o meu trabalho, que possivelmente eu teria alguma coisa pra ele. Ele meio desconfiado, talvez com medo me acompanhou, até porque, se não viesse, iria passar frio. No caminho, fui conversando e lhe perguntando. Sempre tive curiosidade pra saber o porquê dessas pessoas não procurarem os abrigos públicos para ficar. Ele me disse que sempre vai, porém, naquele dia o "recolhimento" não havia passado. Fui lhe fazendo várias perguntas e ele, sempre muito desconfiado e esguio, muitas vezes não respondia... Perguntei se ele não frequentava a escola e ele me disse que só de vez em quando ia. Perguntei também o porquê dele não ficar no abrigo ao invés de ir pras ruas, e percebi que ele não via nenhum atrativo no abrigo a não ser pra dormir, e nesse momento pensei comigo: "Por que não fazem projetos, visando chamar a atenção desses jovens moradores de rua? Colocando atividades dentro desses abrigos, com professores voluntários em dar aulas pra essas pessoas, realizarem atividades físicas. Tenho certeza que se houvesse um pouquinho mais de boa vontade por parte do governo e até mesmo por parte da população, o número de pessoas que moram nas ruas da cidade, seria muito menor. Bom, quase chegando na portaria do prédio onde trabalho, me lembrei de perguntar o nome dele. Deivid, ele me respondeu e perguntei quantos anos ele tinha, me disse que tinha 12 anos. Quando chegamos na portaria do prédio, pedi que ele me aguardasse ali, pois iria subir pra buscar algo pra ele vestir, e poderia demorar, mas que ele não fosse embora. Subi, peguei uma blusa de manga cumprida e uma camisa normal que não uso mais, uma garrafa d'água e levei pra ele. É muito bacana ver a alegria no rosto de uma pessoa quando recebe uma coisa que precisa, é incrível como crianças que não precisam tanto daquilo, não dão a mínima importância e as vezes até dizem que não gostam do que ganharam, ou que gostariam de ter ganhado um brinquedo. Ele logo vestiu as duas camisas, e antes de me despedi o aconselhei a tentar ficar mais tempo no abrigo e principalmente voltar a frequentar a escola, que era importante para que ele pudesse sair da situação em que se encontra hoje e poder se tornar um cidadão de bem, que possa comprar suas próprias roupas, que possa comprar seu próprio alimento e infelizmente, não senti muito essa vontade dentro dele, mas tenho certeza que assim como Jesus veio falar comigo, Jesus vai falar ao coração daquela criança e fazer com que ele procure um rumo melhor pra sua vida. Não consegui parar de pensar nesse garoto até hoje, e ontem, enquanto fazia o mesmo caminho de sexta, fiquei a procurá-lo pra ver onde ele estava, e não o vi em parte alguma, espero que Jesus esteja olhando por ele e por todas essas crianças, e que toque o coração de outras pessoas, para que outras pessoas possam ter a mesma atitude ou pelo menos se compadeçam dessas pessoas, passando a pelo menos olhar para sentir um pouco do que aquelas pessoas sentem e se puderam fazer algo pra ajudar, que façam! É muito bom ajudar o próximo, melhor ainda é ajudar sem esperar algo em troca. Foi uma das melhores experiências da minha vida e fez com que eu me sentisse muito bem.

até o próximo post pessoal

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