sábado, 1 de maio de 2010

Maldito 1º de Maio de 1994


1º de maio de 1994, eu estava a dois meses de completar 6 anos de idade, mas já havia pelo menos 3 anos que acompanhava as corridas de F1, primeiro por adorar carros e segundo porque o herói da minha infância aparecia na TV. Bem, eu assistia a praticamente todas as corridas, as vezes até de madrugada eu me recordo de ter acordado meu pai pra ver o Ayrton correr, as que eu não via, ou era por ser muito cedo, ou por motivo de estar na rua com meus pais. Nesse dia 1º de maio, era o GP de San Marino, na época não sabia muito diferenciar esse tipo de lugar, pra mim se tratava apenas de uma corrida, lembro-me de ter assistido parte do treino do sábado e ter assistido a reportagem sobre o acidente do Rubinho na sexta, soube também que no treino de sábado, um outro piloto havia morrido, em decorrência de um acidente, (o austríaco, Roland Ratzenberger), mas não entendia, talvez por conta da idade, a gravidade da situação. E no domingo fomos eu e minha família visitar uma tia, que mora em outro município, a cerca de 40 minutos da minha casa. Passamos o dia todo lá. E foi um daqueles dias em que não assisti à corrida, também por dois motivos: O primeiro, é que eu estava na casa da minha tia, e adorava brincar com meus primos e segundo, que as corridas anteriores, não haviam sido muito boas pro Ayrton e eu estava meio chateado, pelo fato dele ainda não ter vencido naquele ano e por isso não estava muito disposto a trocar uma boa diversão com meus primos pra ficar sentado no meio dos adultos na sala assistindo uma corrida que seria muito difícil pro meu herói. Foi aí que depois de alguns minutos brincando meu pai me grita lá de dentro dizendo: "Bruno, vem cá, o Senna bateu!". Eu, ingênuo e no clima de brincadeira, fingi desmaiar, e comecei a rir, não sabendo ainda a gravidade da situação. Após me levantar, fui até a sala para ver, e vi ele no carro, inerte, demorando uma eternidade para ser socorrido, apesar de vários fiscais de prova estarem ao redor do carro, confesso que aquilo me impressionou um pouco, mas nada que não tirasse a minha confiança no Ayrton, pois ele já havia batido uma vez na temporada e nada de mais grave havia acontecido. A corrida terminou e eu já estava meio cansado de brincar, fui pra sala, ficar com meu pai, e algo estranho estava acontecendo, após a corrida, geralmente todos se dispersavam, minha mãe ia pra cozinha com minha tia, meu pai ia na rua dar uma volta com o marido da minha tia. Naquele dia, todos permaneceram sentados, com os olhos fixados na TV, até que veio a notícia, com o Arnaldo Leme falando que estava confirmada a morte de Ayrton Senna da Silva. Aquilo causou um sentimento tão estranho dentro de mim, que até hoje eu não compreendo. Comecei a chorar copiosamente, tipo, desesperado mesmo, e meu pai teve que me acudir, me pegando no colo e conversando e hoje sei que chorando comigo. Me abraçava apertado e tentava me confortar e confortar a ele próprio. Sei que ficamos ali, durante uns 5, talvez 10 minutos, até ele usar aquele tipo de chantagem que se faz com criança quando se quer alguma coisa dela: "Bruno, não chora, se vc parar de chorar, papai vai comprar aquele autorama, que tem a foto do Ayrton Senna." (era um dos brinquedos mais anunciados na televisão na época) (detalhe, nunca mais se falou no brinquedo). E desde esse dia, eu não faço a mínima questão de assistir uma corrida sequer, pra falar a verdade, só me recordo de ter assistido a outra corrida cerca de 3 anos depois, mesmo assim, mais por falta do que assistir, como ocorre até hoje.

A admiração que sinto pelo Ayrton, é algo além das pistas, na época do acidente, lógico que tinha ele como ídolo pelo que ele fazia dentro delas, porém, anos depois, pesquisando sobre a vida dele, aprendi a admirar o Ser Humano, uma coisa que eu achei fantástico que ele fazia, é o fato de ajudar instituições com apenas uma condição: a de que a identidade do doador, no caso ele, não fosse revelada a ninguém. E foi assim até o dia da sua morte, quando dias depois ele era enterrado e PARAVA a maior cidade do Brasil. Era difícil entender como um piloto de F1 podia representar tanto um povo, mas as pessoas que sabiam desse gesto de caridade e bondade dele, logo se manifestaram e revelaram o segredo até então guardado. Naquele maldito 1º de maio, o Brasil perdeu o maior exemplo de superação, força de vontade, perseverança, fé, enfim, perdemos o que é na minha opinião o único Herói que o país já teve, e que também tinha um codinome, nos dias de batalha, não era o Ayrton Senna da Silva, mas sim, AYRTON SENNA DO BRASIL. Quanta falta ele nos faz. Saudades Campeão!

5 comentários:

  1. Nossa... estou emocionada demais Bruno... Eu era tãão pequenininha e tb me lembro bem dele, das corridas, pq a família se reunia tda pra gritar o nome desse herói (como vc bem disse!).
    Cara, eu tinha apenas 4 anos mas ele ficou na minha memória como se eu o tivesse acompanhado há mt mais tempo...
    Ele sempre será O Cara!!
    Que ele esteja ao lado de Deus feliz por ver q é, ainda, tão amado!
    Obgd por proporcionar essa emoção com tdos!
    Beijo grande.

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  2. Bruno;

    Perfeito!Vi seu Scrap na comu do Orkut não resisti e vim aqui dar uma conferida. Dia que morreu um homem e nasceu um mito e se me permiti uma pequena correção, A noticia anunciando a morte de Senna foi dada Pelo Reporte Roberto Cabrini.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Post realmente emocionante Bub!
    Já imaginava a sua paixão pelo Senna,ele era demais mesmo,lembro que no dia da morte dele,meu pai ainda era vivo,chorou muito.
    Ele era o retrato do Brasil,era a cara do povo,que ele descanse em paz!
    SENNA,O BRASIL NUNCA ESQUECERÁ DE VOCÊ!

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