segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fluminense x Arsenal - O despertar de um Gigante


No dia 05/03/2008, o Fluminense, depois de 23 anos, jogava no Maracanã pela competição mais importante da América, A Libertadores. E para mais de 45 mil privilegiados, aquela noite foi inexquecível. Eu me lembro que não estava dando muita importância a essa competição, por ainda acreditar que não iríamos muito longe, principalmente pela campanha abaixo do esperado no estadual e pela primeira partida da Libertadores, disputada em Quito, contra a LDU, Assisti ao jogo como a qualquer outro e mais do que nunca tive orgulho de gritar... "Graças a Deus sou Tricolor!". Mas a partir deste jogo, o Fluminense foi provando pra mim e pra milhões de pessoas, que seria sim, possível a conquista do título pelo pessoal de Laranjeiras. O jogo era contra ninguém mais, ninguém menos, que o atual campeão da Copa Sulamericana, que é a competição mais importante depois da Libertadores. Mas o Fluminense estava reestreando em casa pela Libertadores e mais de 45 mil fanáticos tricolores estavam lá pra ver essa noite histórica, e se aproveitando disso, simplesmente não tomou conhecimento do time argentino. O Fluminense começou o jogo pressionando a saída de bola, empurrado por sua fanática torcida que depois de 9 anos, pôde ver novamente no Maraca o famoso pó-de-arroz, tradicional ornamento da torcida para jogos no Maraca e que havia sido suspenso por alegarem que fazia mal às pessoas. A torcida lutou para provar que o talco que seria usado pela torcida a partir daquele momento não era prejudicial e conseguiu a liberação, fazendo uma linda festa no "Maior do Mundo". Com a pressão, o Flu logo abriu o placar, antes dos 15 minutos, Thiago Neves, cobrou falta sofrida por Dodô na meia lua. Que precisão, no ângulo direito do goleiro argentino que pulou só pra sair na foto. Com a vantagem e a empolgação a favor, o tricolor marcou o segundo dez minutos depois, dessa vez com Dodô, o artilheiro dos gols bonitos, marcando num sem-pulo fantástico, depois de excelente jogada de Júnior César pela ponta esquerda. Após o segundo gol, o Fluminense passou a tocar mais a bola, mesmo assim, antes do fim do primeiro tempo, Gabriel, após linda jogada de Dodô pelo meio da grande área, tocou por cobertura, deixando o arqueiro argentino sem pai nem mãe. 3x0 Flu e é hora do segundo tempo. Logo no início da etapa final, o Fluminense marcou, o que pra muitos foi o gol mais bonito que o Maracanã já viu, e não poderia ter sido ninguém menos que o artilheiro dos gols bonitos para fazê-lo neh? Aos cinco minutos, Thiago Neves recebeu bola na ponta direita da grande área, mais perto da linha lateral, ele olhou, olhou e fez um lançamento preciso para Dodô que estava entre a meia-lua e o bico esquerdo da grande área adversária, quase em paralelo com o Thiago Neves, ele olhou a bola vindo e sem deixar ela cair, nem quicar, e sem sequer dominar a pelota, pegou de primeira, um chute simplesmente SENSACIONAL, que entrou no ângulo direito do goleiro. 4x0 e estava formada a festa Tricolor. Mais ainda tinha mais, Washington, o Coração Valente ainda não tinha marcado, e após tabelar com Dodô, tocou na saída do goleiro do Arsenal e marcou o 5º gol Tricolor. Ainda teve tempo para Cícero, em mais uma falta sofrida por Dodô, isso mesmo, Dodô participou de todos os gols do Flu neste jogo. Ele sofreu a falta do primeiro gol, marcou o segundo, deu passe para o terceiro, marcou o quarto, deu passe pro quinto e sofreu a falta do sexto. Cícero bateu forte, com efeito, sem chances pro goleiro. Fluminense 6x0 Arsenal de Sarandi. Noite maravilhosa no Maracanã, Tricolores em êxtase no Brasil e no Mundo, e o despertar de um Gigante adormecido havia anos. O Fluminense definitivamente se credenciava a chegar pelo menos nas oitavas-de-final, mas continuava a ser encarado como zebra na competição, os favoritos ainda eram o São Paulo, Boca Juniors, Flamengo, River Plate e Cruzeiro.

Bom galera, é isso aí, esse foi o primeiro post da séria "A injustiça!", o próximo post será sobre o primeiro jogo das quartas-de-final da competição, contra o favorito São Paulo, no Morumbi. Até a próxima!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Injustiça



Galera... A partir de hj, vou publicar a trajetória mais emocionante e marcante de um clube brasileiro na Libertadores da América. De um clube que não precisou da ajuda de juiz, expulsando 4 adversários sem motivo algum para que determinado time vencesse um campeonato e pudesse chegar até a Libertadores no ano seguinte. De um time que jogou a Libertadores mais equilibrada da história, com todas as potências do continente, superando duas das maiores potências do futebol mundial em fases finais. Sendo derrotado apenas na altitude de quase 3 mil metros. Uma covardia com o ser humano que vive no nível do mar. Um clube que não tem a maior, mas com certeza tem A MELHOR E MAIS BONITA TORCIDA DO MUNDO a seu lado, torcida que tem uma criatividade muitas vezes inacreditável. Torcida de uma educação quase que incomparável, mas acima de tudo, de um orgulho por torcer para esse clube... A única que tem o prazer de dizer em um de seus mais lindos hinos das arquibancadas: "Graças a Deus sou Tricolor!"

A partir de amanhã, vou relatar aqui, como foram os principais jogos da Libertadores, mas com ênfase na forma que eu vivi cada um deles. Lembrando, que não compareci em nenhum dos jogos, pois estava começando minha vida na cidade maravilhosa e o orçamento estava completamente apertado. Imaginem a dor de um viciado no time do coração, passar em frente ao Maracanã antes dos jogos mais importantes da história do mesmo, e não ter dinheiro para ir comprar o ingresso e assistir? Pois é... essa dor eu senti. Mas as emoções que vivi fora do Maracanã, seja na casa onde morava em Bonsucesso, ou na casa dos meus pais, em Maricá, foram inesquecíveis em alguns jogos.

Vou começar contando a história do primeiro jogo do Flu no Maracanã naquela Libertadores, contra o Arsenal da Argentina. Depois, vou contar como foram as duas partidas contra o São Paulo e as duas contra o Boca Juniors, quartas-de-finais e semi-finais, respectivamente. E por último, a grande final no Maracanã, contra a LDU e o Sr. Héctor Baldassi.

Até o próximo post...