
No dia 05/03/2008, o Fluminense, depois de 23 anos, jogava no Maracanã pela competição mais importante da América, A Libertadores. E para mais de 45 mil privilegiados, aquela noite foi inexquecível. Eu me lembro que não estava dando muita importância a essa competição, por ainda acreditar que não iríamos muito longe, principalmente pela campanha abaixo do esperado no estadual e pela primeira partida da Libertadores, disputada em Quito, contra a LDU, Assisti ao jogo como a qualquer outro e mais do que nunca tive orgulho de gritar... "Graças a Deus sou Tricolor!". Mas a partir deste jogo, o Fluminense foi provando pra mim e pra milhões de pessoas, que seria sim, possível a conquista do título pelo pessoal de Laranjeiras. O jogo era contra ninguém mais, ninguém menos, que o atual campeão da Copa Sulamericana, que é a competição mais importante depois da Libertadores. Mas o Fluminense estava reestreando em casa pela Libertadores e mais de 45 mil fanáticos tricolores estavam lá pra ver essa noite histórica, e se aproveitando disso, simplesmente não tomou conhecimento do time argentino. O Fluminense começou o jogo pressionando a saída de bola, empurrado por sua fanática torcida que depois de 9 anos, pôde ver novamente no Maraca o famoso pó-de-arroz, tradicional ornamento da torcida para jogos no Maraca e que havia sido suspenso por alegarem que fazia mal às pessoas. A torcida lutou para provar que o talco que seria usado pela torcida a partir daquele momento não era prejudicial e conseguiu a liberação, fazendo uma linda festa no "Maior do Mundo". Com a pressão, o Flu logo abriu o placar, antes dos 15 minutos, Thiago Neves, cobrou falta sofrida por Dodô na meia lua. Que precisão, no ângulo direito do goleiro argentino que pulou só pra sair na foto. Com a vantagem e a empolgação a favor, o tricolor marcou o segundo dez minutos depois, dessa vez com Dodô, o artilheiro dos gols bonitos, marcando num sem-pulo fantástico, depois de excelente jogada de Júnior César pela ponta esquerda. Após o segundo gol, o Fluminense passou a tocar mais a bola, mesmo assim, antes do fim do primeiro tempo, Gabriel, após linda jogada de Dodô pelo meio da grande área, tocou por cobertura, deixando o arqueiro argentino sem pai nem mãe. 3x0 Flu e é hora do segundo tempo. Logo no início da etapa final, o Fluminense marcou, o que pra muitos foi o gol mais bonito que o Maracanã já viu, e não poderia ter sido ninguém menos que o artilheiro dos gols bonitos para fazê-lo neh? Aos cinco minutos, Thiago Neves recebeu bola na ponta direita da grande área, mais perto da linha lateral, ele olhou, olhou e fez um lançamento preciso para Dodô que estava entre a meia-lua e o bico esquerdo da grande área adversária, quase em paralelo com o Thiago Neves, ele olhou a bola vindo e sem deixar ela cair, nem quicar, e sem sequer dominar a pelota, pegou de primeira, um chute simplesmente SENSACIONAL, que entrou no ângulo direito do goleiro. 4x0 e estava formada a festa Tricolor. Mais ainda tinha mais, Washington, o Coração Valente ainda não tinha marcado, e após tabelar com Dodô, tocou na saída do goleiro do Arsenal e marcou o 5º gol Tricolor. Ainda teve tempo para Cícero, em mais uma falta sofrida por Dodô, isso mesmo, Dodô participou de todos os gols do Flu neste jogo. Ele sofreu a falta do primeiro gol, marcou o segundo, deu passe para o terceiro, marcou o quarto, deu passe pro quinto e sofreu a falta do sexto. Cícero bateu forte, com efeito, sem chances pro goleiro. Fluminense 6x0 Arsenal de Sarandi. Noite maravilhosa no Maracanã, Tricolores em êxtase no Brasil e no Mundo, e o despertar de um Gigante adormecido havia anos. O Fluminense definitivamente se credenciava a chegar pelo menos nas oitavas-de-final, mas continuava a ser encarado como zebra na competição, os favoritos ainda eram o São Paulo, Boca Juniors, Flamengo, River Plate e Cruzeiro.
Bom galera, é isso aí, esse foi o primeiro post da séria "A injustiça!", o próximo post será sobre o primeiro jogo das quartas-de-final da competição, contra o favorito São Paulo, no Morumbi. Até a próxima!
